É libertador voltar atrás

foto por Sheila Mendonça

Tem gente que diz: "Eu não me arrependo de nada que fiz na minha vida até aqui.". Sempre que leio ou escuto esta afirmativa dois sentimentos chegam em mim, descrença e pena.

Descrença, porque não é possível que uma pessoa que hoje tenha quarenta, cinquenta, sessenta, setenta e lá vai enta, não se arrependa de absolutamente nada. Se tiver vinte ou trinta e afirmar isso, eu penso logo que ainda não deu tempo.

Eu sei que tomamos atitudes de acordo com a maturidade da época, entendo isso, mas justamente a tal maturidade é que nos leva à reflexão: "Hoje eu faria diferente.". O que por si só já nos leva ao arrependimento.

Ou não. 

É nesse ponto que a minha descrença termina em parte quando penso: "Se tomou determinada atitude na época, então não tem o porquê de se arrepender, já que tem consciência disso.". Certo? Certo.

Será?!

Mas ainda assim confesso me soar estranho aos ouvidos. Não acredito cem por cento em pessoas com tal afirmação. Minha gente, como vocês conseguem tal proeza? Não se arrependem de nada? Nada? Nada mesmo?

Pois eu sim. Beirando os quarenta e lá vai enta eu me permito ao arrependimento e acho que ter esta consciência nos faz crescer. Quando alguém consegue crescer sem o arrependimento me dá pena. Sim. Pena!

Porque o arrependimento é perdoar a nós mesmos. É ter a consciência de que erramos. Ou que poderíamos ter feito diferente. Que devemos aceitar as nossas limitações, que podemos nos perdoar e continuar. É saber que a certeza de hoje poderá virar o arrependimento de amanhã e está tudo bem. Faz parte.

Ter isso em mente e ficar bem vai te fazer leve e pedir desculpas. Dizer eu errei, ou eu poderia ser melhor, nos faz crescer e MELHORAR CADA VEZ MAIS.

Peça desculpas, volte atrás, aceite que arrependimentos nos faz grandes ali na frente. Não existe pedido de desculpas sem o arrependimento. Olha ele aí. Bingo!

Chegar aos enta só nos torna nobres se confessarmos que em algum momento de nossa vida nos arrependemos de algo. Se for difícil confessar para terceiros, tudo bem. Mas, por favor, não cometa a autossabotagem e confesse pra você mesmo.

É libertador.

Voe!
 - Sheila Mendonça -